domingo, 23 de março de 2008

Sexta feira da paixão

Tudo começou com a volta pra casa. Do local que eu tava, voltando de bus, teria que descer a uns bons 2km de casa. E eram 8 da noite. E minha mochila estava chamando ladrão. Bem, resolvi ver se o fôlego já tinha sido afetado pelo tabagismo e corri. Corri como se fosse uma bruxa e a inquisição tivesse vindo a cavalo. E lá estava eu de volta em casa depois de quase 48 horas, me perguntando como teria sido o show do Pato Fu e tals, pensando em afogar as mágoas e ligando feito um condenado prum amigo pra ver se aparecia algo de interessante na vida urbana em plena sexta feira da paixão. Lendo o jornal de tarde eu sabia do mainstream, que ia ter umas 15 festas em homenagem ao cd do Michael Jackson, papapa, e como piro num Billie Jean resolvi que ia pro inferninho onde a festa ia estar mais amisad.
Convencidas as pessoas, avisei que ia prum botequim pé-sujo perto de um pub esperar eles na quadra atrás. Só que achei que seria meia horinha de bebeção solitária no bar. Como eu que tava de carona nem dei trela... saí direto e fiquei a primeira meia hora de espera só, até que apareceu um cara pedindo fogo e forçou comigo. A espera pelo meu amigo passou depois de mais meia hora e meia garrafa de álcool. Levemente tonto e com um msn a mais fui pra festa, o pessoal que me buscou achando que eu estava com um conhecido o tempo todo de espera, e lá vou eu explicar o que tinha ocorrido. Tá, nos apressamos por causa da lista da festa e chegamos a tempo de ouvir bagaceiras pop e dançar na tranquilidade.
O bom de ter um local fixo pra balada é que você se sente mais a vontade com aquele lugar depois de um tempo. E como o inferninho do Conic é o local que mais curto pra dançar e só abre fim de semana, a média de idas lá é de uma vez a cada 15 dias. Em dia período letivo. E já entro naquele lugar cumprimentando os hostess (que nunca mudam), quandoos seguranças resolvem implicar com a documentação. Tá, inda tenho cara de moleque, mas eu vou lá mais do que aqueles funcionários tercerizados pra aguentar pressão de bombado sem interesse sexual. E me diverti quando recebi apoio da produção da festa pra entrar. Já quase tenho carteira de cliente daquilo mesmo.
A festa lotou e eu nem notei. Tava lá dançando empolgadíssimo as velharias, os rocks, os funks... tá nos funks eu parei pra descansar um pouco. Aí me pego numa situação complicada com amigos no meio da balada. Lá vai Elise entrar dentro das pessoas e usar do espírito de psicólogo pra ajudar. Enquanto o meu amigo homem rebolava no funk, peguei minha amiga fêmea pela mão e fui pra fora com o pretexto de stalkear um clone do Brandon Flowers na festa. E dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe, conversa. Depois começa uma Madonna e eu entro, converso com meu amigo na pista mesmo, resolvo parte da pendenga, arrasto pra fora da pista, resolvo o resto. E depois disso o que eu noto? Que falei demais. Coloquei meu pescoço em risco pra resolver a pendenga dos meus amigos. Saímos da festa 5 horas pra deixar o povo em casa e fomos conversando. Aí ao menos notei que o assunto tava morto e sepultado com a velocidade que se leva pra ficar sóbrio. E quando cheguei em casa pensei: caralho, maldita via crucis. Contageado nem um pouco pelo espírito cristão da data. Ao menos o suficiente pra fazer drama sem apelar pro exagero.

0 comentários: